O mercado de revenda ainda era associado a garimpo. Anúncios dispersos, qualidade inconsistente, logística improvisada e um estigma difícil de romper.
Hoje, o cenário é outro.
O mercado de revenda se profissionalizou em todos os níveis. Precificação, autenticação, logística, experiência do cliente e, sobretudo, integração com marcas. Ao entrarmos em 2026, a principal mudança já não é o crescimento do second hand, mas o fato de que ele se tornou estruturalmente relevante para o varejo.
Segundo o ThredUp Resale Report, o mercado de roupas de segunda mão nos Estados Unidos deve crescer 14% em 2025. A revenda online cresce ainda mais rápido, 18%, com projeção de atingir US$ 40 bilhões até 2029.
O crescimento é evidente. Mas o ponto mais relevante está no como.
O recommerce está se fragmentando em modelos distintos, cada um resolvendo um problema específico do varejo.
Marketplaces centralizados em busca de escala
Plataformas como The RealReal e ThredUp ajudaram a definir o primeiro grande modelo da revenda online. Marketplaces centralizados, responsáveis por autenticação, fotografia, precificação e logística.
Esses modelos criaram escala e normalizaram o consumo de segunda mão. Ao mesmo tempo, evidenciaram um limite claro. Alto custo operacional, margens pressionadas e dependência de capital intensivo.
A primeira geração buscou volume e domínio de categoria. O mercado aprendeu que isso, sozinho, não é suficiente.
Especialistas de categoria criando ciclos de troca
Um segundo modelo ganhou força a partir da especialização.
A Fashionphile, em parceria com a Neiman Marcus, é um dos exemplos mais claros de como a revenda deixa de ser paralela e passa a operar como ciclo. Produtos da estação passada se transformam em crédito imediato para novas compras, mantendo o cliente dentro do ecossistema da marca.
Plataformas como MyGemma e Hardly Ever Worn It seguem lógica semelhante, focando em categorias com alto valor de revenda, regras claras de autenticação e menor fricção operacional, como bolsas, joias, relógios e acessórios icônicos.
Aqui, o foco não é variedade. É liquidez, recompra e fidelização.
A virada mais relevante: recommerce operado pela marca
A mudança mais estrutural do mercado acontece quando a revenda passa a ser operada pela própria marca.
Durante anos, o receio era claro. Canibalização, diluição de preço, perda de controle. Esse discurso começa a perder força conforme os dados se acumulam.
A revenda operada pela marca se consolida como ferramenta de aquisição de clientes mais jovens, alavanca de fidelidade via crédito em loja, fonte de inteligência de preço e extensão natural do ciclo do produto.
É nesse contexto que surgem infraestruturas especializadas, como Trove e Archive, viabilizando canais oficiais de recommerce com controle de dados, experiência e recompra.
A aquisição da Recurate pela Trove reforça um movimento claro. O recommerce deixa de ser experimento e passa a ser camada estrutural do varejo.
Liquidez, descoberta e eficiência operacional
Outro eixo relevante é a liquidez.
A LePrix atua no B2B da revenda, resolvendo um dos maiores gargalos do setor. Acesso a inventário autenticado em escala e no mix certo.
Ferramentas de descoberta como o Beni começam a integrar a busca por produtos usados diretamente na jornada de compra do first hand. O second hand deixa de ser um destino separado e passa a ser parte do comportamento de compra.
Em paralelo, a profissionalização operacional avança. IA aplicada à precificação, classificação de estado, detecção de fraude e automação de listagem reduz custo por item e viabiliza escala sustentável.
O que isso sinaliza para 2026
O consenso é claro.
A revenda deixa de ser categoria separada e passa a ser recurso nativo do varejo. Mais marcas integrarão trade in, crédito e revenda aos seus canais próprios. Identidades digitais e passaportes de produto acelerarão autenticação e revenda instantânea. Regulação e fricções no comércio global tendem a fortalecer o second hand.
O recommerce caminha para se tornar procedimento padrão.
E no Brasil
No Brasil, esse movimento começa a se estruturar agora.
A cercle atua como infraestrutura de recommerce white label, permitindo que marcas operem seu canal oficial de segunda mão com controle de dados, experiência, narrativa e recompra.
Enquanto globalmente o mercado amadurece, o cenário brasileiro ainda está em fase de definição. Isso cria uma janela rara de protagonismo para as marcas que entram agora.
Não se trata de aderir a uma tendência, mas de estruturar desde cedo um novo ciclo de valor.
Se você lidera uma marca e quer entender como o recommerce pode operar como parte do seu modelo de negócio, vale conhecer como a cercle estrutura esse ecossistema.
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